Tecnologias que economizam água na fabricação de roupas

A Less collection da Levi Strauss que utiliza de 20 a 96 por cento menos água na sua fabricação.

Quase tudo que é fabricado hoje em dia tem água, direta ou indiretamente, envolvida na sua fabricação, desde a colheita das matérias-primas até os materias para exposição nas prateleiras onde você vai comprar.

Na verdade, o tingimento de tecidos é responsável por 17% a 20% da poluição da água usada na indústria de acordo com o Banco Mundial. Se pensarmos a respeito e formos à campo pesquisar um pouco, já existem soluções interessantes utilizadas pela indústria do vestuário para conservar o bem mais precioso do nosso Planeta: A água.

Simplificando, a tecnologia AirDye adiciona cor ao tecido sem necessidade de molhá-lo. O processo patenteado tinge com tintas livres de PVC através de um papel que, aquecido, transfere a cor para a superfície da fibra a um nível molecular. Parece meio complicado mas é bem simples. Quase como um transfer. Essa técnica, segundo a empresa, não só reduz 90% da água que seria utilizada normalmente num processo de tingimento normal como também economiza 85% de energia que seria necessária para secar o tecido.

A DyeCoo Textile Systems é uma empresa sediada na Holanda, que construiu a primeira máquina comercial waterless têxtil de tingimento. A tecnologia pressuriza no tecido dióxido de carbono líquido, ele penetra nas fibras e depois é ativado com outros agentes químicos dando cor. Uma vez que o ciclo de tingimento é completado, o CO2 é gaseificado para recuperar o excesso de corante, que é reutilizado. Sem sujeira, poluição e com muito menos energia que que os métodos convencionais.

A Lacoste e a Marks & Spencer são algumas das marcas que utilizam o processo Huntsman Avitera, que usa apenas de três a cinco litros de água a cada dois quilos de material, em comparação com os 26 litros que os métodos tradicionais exigem. Além disso facilita o enxague para fibras a base de algodão.

Sem usar uma única gota d´água a tecnologia DyeCat colore as fibras em um nível molecular. Não desbota ou desaparece. De uma forma simplificada é como se a cor passasse a fazer parte do material não deixando que qualquer excesso contamine a água.

A tecnologia Jeanologia E-Soft transforma o ar atmosférico em “nano-bolhas” que amolecem os tecidos usando 98% menos de água e 79% menos de energia que os métodos tradicionais. A companhia espanhola, especializada em acabamento de vestuário, também utiliza ozônio ao invés de múltiplas lavagens para desbotar seu denin, economizando cerca de 4 milhões de litros de água por dia em suas fábricas pelo mundo, de acordo com o fundador e CEO, Enrique Silla.

As calças de jeans da AG feitas nos EUA são processadas usando a tecnologia de ozônio que corta o consumo de água, energia e produtos químicos. O jeans normalmente utiliza grandes quantidades de água e produtos químicos para retirar o excesso do índigo. O uso da tecnologia de ozônio permite limpar o excesso de anil sem uso de água e produtos químicos branqueadores.

3 comentários

  1. é mesmo muita poluição Júlia, inclusive aqui do nosso pólo têxtil do agreste… ainda vai muita coisa de tinturaria para os rios… uma pena…

    ótimos posts, como sempre amiga

  2. Julia
    Sensacional essa matéria! Nossa não sabia que existiam tantas maneiras de tingimento menos agressivos.
    Que tal voce mandar essa matéria para a prefeitura de Toritama? Quem sabe não melhora a situação das fabricas de jeans?
    Meu marido fez um trabalho a respeito disso na época da faculdade( lá em Toritama), mas hoje em dia não praticam mais..
    Espero que essas tecnicas sejam viáveis financeiramente, pois é a desculpa que as fabricas usam para não exercer as boas práticas, sabe? Voce tem idéia de investimento?
    Menina, não canso de ler suas matérias!
    Muito legal finalmente te conhecer, só não repara no meu jeito…sou empolgada com o que gosto!
    Bjão da fã!
    Cynthia

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