No mundo das misturas, a moda agora é respeitar

No mundo das misturas, a moda agora é respeitar

Tá liberado ser quem você quiser ser!

Quantas vezes você não estava numa rede social qualquer e leu coisas do tipo “Cruzes! Que roupa horrorosa!” ou “Não usaria uma coisa dessas!” nos comentários seja de famosas ou de gente comum?

Pois é. Que tal falarmos um pouco de individualidade e respeito?

Que a moda tá aí pra você tirar o melhor dela pra si, parece meio óbvio, né? Ou, pelo menos deveria ser. Entendedores do assunto sabem muito bem que não dá pra aproveitar tudo que caiu no gosto popular e usar a cada mudança de vitrine. É que antes a gente tinha estações de seis em seis meses. Se já era bem complicado pra quem resolvia seguir as tendências, hoje em dia está muito pior. Não tem mais “de seis em seis meses”.





Cada dia mais vemos novidades pipocando na nossa frente a todo instante. Seja através das ruas, dos influenciadores ou até das passarelas, novelas e revistas. Imagina se você resolve seguir tudo que vira moda? Você ia enlouquecer e acabar com seu dinheiro.

É aí que entra o estilo. “Ah mas, essa roupa é horrorosa!“. Certo. Mas, se a pessoa tá a fim de usar, e daí? “Ai mas, ficou horrível pra tal pessoa!“. Foi-se o tempo de que havia a obrigação de seguir regras que sei lá quem inventou.

Ok. Existe o visagismo, os tipos físicos e algumas regras de proporção no meio do caminho. Tá. Mas, onde tá escrito que você não pode subverter?

Magra pode tudo, gorda não pode usar listras horizontais” entre outras coisas, são ideias passadas nos novos tempos. O legal agora, o cool do momento é subverter mas, pra isso, você precisa se conhecer o suficiente pra saber o que quer mostrar e o que quer esconder, o que visualmente te agrada e o que não agrada e, se você segura o look. E tudo isso pede uma dose cavalar de autoconhecimento, umas pitadas de experimentação (com muitos acertos e erros) e uma personalidade forte o suficiente pra vestir o que tá a fim sem se importar com o que os outros pensam. Essa é a parte difícil da brincadeira. Difícil só porque não há respeito.





Dia desses alguém de algum movimento negro criticou uma garota branca por usar turbante. Detalhe, ela usava o turbante pra esconder a careca pois passava por um tratamento contra o câncer. “Mulheres brancas não podem usar turbante! Isso é apropriação cultural da cultura negra! Absurdo!“. Absurdo onde, cara pálida? Absurdo é não saber que o turbante não nasceu na África. (Leia mais sobre turbantes aqui)

Você acha mesmo que, no mundo atual onde nada se cria e tudo se copia, dá pra viver sem se misturar? Se adaptar às sua necessidades aquilo que você bota sobre o corpo? Segregação é tão cafona… Por favor, não tragam de volta essa “moda”.

Conhece a ti mesmo“, já dizia o filósofo Sócrates. Se todo mundo começasse por aí, veria que, ao apontar um dedinho na cara de quem quer que seja, você está apontando outros três pra você mesmo. Respeito é bom e todo mundo deveria adorar!





Sobre Julia Salgueiro

Julia Salgueiro é comunicadora, com formação em Relações Públicas e Publicidade. Tem pós graduação na área de moda e MBA além de ter estudado bastante o assunto em diversos cursos livres. Como jornalista (DRT-PE 5022) atuou em veículos online e impressos. Hoje além de blogar, é modelo plus size e trabalha com assessoria de moda.

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